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A verdade pode ser abafada, mas não extinguida PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Terra Cabinda   
Domingo, 30 Junho 2013 08:11

A verdade pode ser abafada, mas não extinguida

 

A verdade é incompatível com o pragmatismo de certas regras de marketing político ou económico que vêm sendo difusamente publicado nos média para satisfazer o clientelismo de uma audiência que sufoca o martirizado Povo de Cabinda sem piedade nem dó. Por mais que os média tentem camuflar a verdade, infelizmente para eles, não serão capazes de alterar o passado histórico, a geografia e os factores etnolinguísticos, bem como o direito internacional que constituem a verdade na qual se assenta a razão do Povo de Cabinda. A dissimulação da verdade sobre a questão de Cabinda torna-se uma pedra no sapato daqueles que aderem ao compromisso de ocultar estes factos.

 

Mais do que nunca os Cabindas devem reorganizar-se e em uníssono condenar as vicissitudes infligidas ao seu povo tanto no interior como no exterior. Os Cabindas devem expor a camuflagem  da verdade ao qual o povo de Cabinda está submetido pelas forças angolanas de repressão ao invés de fazer pronunciamentos e apelos a negociações que não encontram eco no regime de ocupação do MPLA. Esses apelos à negociações são simplesmente como mais uma acção de distracção que favorece ao ocupante.

 

A gravidade da situação que enferma o Povo de Cabinda requer um tratamento sério para a sua cura e não um calmante como para quem tem uma dor de estômago causada pela fome, sobretudo neste momento que se observa uma atitude parcial do HCR a favor do regime de Luanda no tratamento da questão dos refugiados Cabindas nos dois Congos (Brazzaville e Kinshasa). Isto é concernente ao plano de repatriamento forçado dos refugiados Cabindas desses territórios para destinos incertos a mercê de Angola. Nota-se que o HCR abraça as iniciativas de Angola sem reservas, ao mesmo tempo que a comunidade internacional finge não ver, nem ouvir o padecimento e gritos de dor resultante das grotescas violações dos direitos humanos perpetrados pelo regime de Luanda no território de Cabinda. Isto pode ser notado no silêncio observado sobre as incursões, ameaças, raptos e assassinatos que se registam no território de Cabinda e nos campos de refugiados Cabindas tutelados por este órgão da ONU pelos agentes e forças de defesa e segurança do regime de Luanda.

 

Em parte nenhuma do mundo, os refugiados que estão sob protecção do HCR receberam um tratamento tão brutal da parte deste órgão vocacionado a proteger pessoas vulneráveis, perseguidos, discriminados e em risco de vida que solicitaram e foram concedidos a protecção sem que se tenha primeiro encontrado a solução às causas que constituem a raiz do problema. Recorda-se que esses refugiados foram recebidos nesses campos como Cabindas - vítimas das forças angolanas de ocupação e não como angolanos; obviamente, não se deve retirar-lhes o direito de protecção enquanto perdurar o impasse na solução política do conflito. Pois, este conflito é que suscitou o êxodo massivo de Cabindas nos Congos e para outras partes do mundo.

 

A verdade deve ser reposta. Não se deve continuar a apreciar o problema de Cabinda do ponto de vista das suas riquezas ou interesses da Angola-ocupante. Porque a solução não pode ser alcançada sobre a definição da riqueza ou interesses que beneficiam quem viola as normas internacionais, neste caso o governo do MPLA, com relação ao direito do Povo de Cabinda à autodeterminação reconhecido pela Carta das Nações Unidas, mormente no seu artigo 73º que estabelece as aspirações políticas dos povos à sua livre autodeterminação.

 

A violação do Tratado de Simulambuco por Portugal e o conluio internacional contra os Cabindas no qual o MPLA que representa Angola e governa este pais desde a sua independência é projectado como 'gendarme-mor' na execução do plano de asfixiar, humilhar e exterminar o povo de Cabinda constituem o pano de fundo para a mudança positiva tão esperada pelo Povo de Cabinda. Enquanto não haver mudança na actuação da ONU que obrigue Angola a aceitar a verdade que bem conhece, nenhum progresso se registará no equacionamento de uma solução política para Cabinda.

 

Isto explica o porquê da aposta do regime do MPLA na repressão, assassinatos e na corrupção para supostamente acabar com o ‘caso Cabinda’ ao mesmo tempo que alguns indivíduos cabindas caiem cegamente nessas armadilhas e crêem nas falácias do regime do MPLA apenas para se tornarem, em vão, objectos de Angola na manipulação dos acontecimentos em Cabinda e desestabilização da justa luta do povo de Cabinda. Esses indivíduos não estão livres e a grande prova disso é que não podem e nem ousam reclamar o cumprimento pelo governo do MPLA do que lhes prometeu fazer para a solução política da questão de Cabinda em compensação à decepção infligida ao seu próprio povo e  ao ideal da luta.

 

A construção de algumas estradas, casas, hospitais, escolas e outras infra-estruturas sociais, que agora exploram para cobrir o fracasso dos seus intentos constitui uma obrigação das potências colonizadoras ou forças de ocupação estrangeiras nos territórios não autónomos bem espelhada na Carta Magna das Nações Unidas. É neste quadro que Portugal construiu Angola e outras colónias, e também Angola é obrigada a fazer em Cabinda, e isso não substitui o direito dos povos à autodeterminação.

 

Torna-se imperativo que todo Cabindês entenda que os seus direitos não estão diluídos por aquilo que é feito para manipula-los ou contra eles e a cada queda deve reerguer-se e recomeçar para atingir os seus objectivos, libertar o nosso Povo. Deve-se aprender com as lições do passado recente e entender que só é derrotado quem não luta. É preciso persistir na luta política para alcançar-se a solução pacífica tão almejada, e nunca enveredar pela diversão do MPLA e a qualquer sensacionalismo politicamente estéril.

 

Como os Cabindas se vêem e se apresentam a si mesmo determina como a própria Angola e os círculos internacionais olham para a questão de Cabinda. Por isso, é deveras desajustado pretender negociar com quem oprime o teu povo quando não consegues dialogar com outros Cabindas não cooptados pelo opressor, engajados na luta contra quem oprime o povo que todos dizem defender. Não falamos aqui dos que assumiram abertamente a aceitação do jugo imposto ao povo Cabinda como solução aceitável para eles, mas daqueles que estão inconformados com a situação e continuam na luta onde quer que estejam. Nenhum povo saiu vitorioso sem sacrifício, e não há luta libertadora que nunca conheceu comportamentos ilusórios ou traições, porque, infelizmente, as diferenças em carácter sempre existiram e continuarão a existir, independentemente das circunstâncias.

 

O Fórum Liberal para a Emancipação de Cabinda exorta a todos compatriotas inconformados com o teatro político que se assiste de reflectir sobre o momento e de ajustar a sua visão e protagonismo de acordo às aspirações do Povo de Cabinda, e agir para que a luta do nosso povo tome um novo rumo para alcançar-se a solução política tão almejada. Para isso, os Cabindas precisam dialogar entre si e para depois trazer Angola à razão.

 

Lembremo-nos do dito popular, “… enquanto a árvore tiver raízes, ainda que todas as suas folhas e ramos estiverem secos ela poderá reflorescer...” Depende da visão de cada um, se vê o momento que vivemos como de desespero ou de nova oportunidade para Cabinda. Só conversando, cooperando e aceitando as nossas diferenças que se limam as arestas.

 

Longa vida ao Povo de Cabinda!

 

 

 

Actualizado em Segunda, 01 Julho 2013 08:32
 

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