Qual é a tua opinião
 


Designed by:

Sul do Sudão, uma Lição para Cabinda e o Mundo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Terra Cabinda   
Sábado, 23 Julho 2011 21:14

                           

                             

                              Sul do Sudão, uma Lição para Cabinda e o Mundo

O Mundo testemunhou, ao 09 de Julho de 2011, o nascimento da mais jovem república do Sudão do Sul que se torna assim no 54º país da África e 193º país membro das Nações Unidas.

Vários esforços foram empreendidos desde a persistência, sacrifício e determinação do povo do Sudão do Sul - à pressão internacional sobre o regime de Cartum - até a consciencialização do Norte Sudão para enveredar pela solução pacífica do conflito.

Esses esforços consentidos, cujos resultados possibilitaram a realização do referendo para a autodeterminação de Sudão do Sul que ditou o nascimento do novo país, merecem os aplausos de todo o mundo e interpela a comunidade internacional de reflectir sobre os outros conflitos e diferendos políticos assentes na autodeterminação e dar-se o mesmo tratamento para evitar a carnificina e intolerância que se registam nestes casos como se vê a décadas em Cabinda – vítima do regime de Luanda.

Da solução do conflito do Sudão do Sul podemos dentre outras extrair algumas lições, e fazer algumas constatações e deduções que são comuns a outros conflitos e diferendos assentes na autodeterminação dos povos.

Primeiro, o enterro do princípio da intangibilidade dos territórios herdados do colonialismo e enaltecimento da via do referendo para a solução dos conflitos assentes na autodeterminação dos povos que o Sudão e o Sudão do Sul acabam de confirmar como opção também viável para a África na solução de diferendos políticos do género, tal como na Ásia com Timor Leste e Europa com o Kosovo, etc.

Essa opção preserva as vidas humanas e desestimula a opção militar, que por exemplo ditou a independência da Eritreia em 1991 depois de uma guerra devastadora, para dois anos depois em 1993 organizar-se o referendo de autodeterminação; bem como evita perpetuar a submissão pela força das armas dos territórios sob ocupação estrangeira – como Cabinda.

O referendo não é sinónimo de independência, ele é apenas garantia de expressão popular livre e consciente, por isso não deve ser temido mas apenas trabalhar-se para conquistar o coração do povo. É também um exercício democrático e teste à boa vontade e sentido de responsabilidade dos líderes políticos. Se os povos normalmente optam pela independência é por causa da crueldade dos regimes dominantes que os subjugam.

Segundo, o feito registado no Sudão do Sul teve como um dos actores principais, Omar El Bashir considerado ditador e sobre quem pesa um mandato de captura internacional por crimes contra a humanidade, emitido pelo Tribunal Penal Internacional; homem vilipendiado por muitos países desenvolvidos e tido como intratável.

Porém, Omar El Bashir deu uma verdadeira lição ao mundo mostrando que os homens maus ou tidos como tal podem mudar, e sem medo abraçou o bem para redimir-se do seu passado, depois de forte pressão internacional sobre si e o regime que representa.

Em contrapartida esses mesmos países desenvolvidos que vilipendiam Omar El Bashir suportam, protegem e bajulam regimes e presidentes que em matéria de crueldade nada deve ao regime de Omar El Bashir, como é o caso do regime de Luanda que ocupa o território de Cabinda contra a vontade dos cabindas que vão sendo exterminados, reprimidos e perseguidos dentro do território de Cabinda e até nos países vizinhos onde muitos se encontram refugiados.

Os cabindas apenas reivindicam o seu direito à autodeterminação, tal como foi o caso do Sudão do Sul. Então, José Eduardo dos Santos pode e deve também ser pressionado a seguir o exemplo de Omar El Bashir, e parar-se com o banho de sangue e a repressão em Cabinda e nos territórios vizinhos de Cabinda onde o regime de Luanda persegue e assassina os cabindas.

Terceiro, a ONU não deverá jamais permitir que em parte alguma do nosso planeta, incluindo Cabinda, que a vontade e a determinação dos povos sejam abafados pela lei do mais forte porque há mecanismos disponíveis para a resolução pacífica dos conflitos e diferendos políticos que podem ser accionados, e sem prejudicar interesses de ninguém, porque tudo é acomodável como se vê hoje com o Sudão do Norte e Sudão do Sul.

A solidariedade humana deve transcender as fronteiras geográficas e dos interesses, e fazer prevalecer a resolução dos diferendos de forma pacífica e civilizada; porque isto enaltece a dignidade humana e promove os valores universais defendidos, sobretudo, pelos amantes da paz cujo estandarte o Ocidente arvora e ajudar os povos a se pronunciarem pacificamente como se viu no Sudão do Sul. Seria justo e honorável para a humanidade.

Quarto, a firmeza, determinação do povo em luta - a verticalidade, seriedade e clarividência dos líderes que representam a luta é fundamental para a obtenção pacífica dos resultados almejados e minorar os danos humanos. Salva Kiir não defendeu interesses pessoais, da sua família ou tribo mas de todo o povo do Sudão do Sul.

Porém seja qual for a fraqueza dos representantes de um povo, essa não anula a razão da sua causa. A autodeterminação é um direito dos povos e não de indivíduos fortes. 

O diálogo sério assente num espírito franco e a negociação aberta são aspectos a privilegiar visando a solução da questão de Cabinda; Angola deve abster-se do jogo de corrupção que vem estimulando porque nunca corromperá todo o povo de Cabinda.

A corrupção e a promoção de indivíduos renegados, avassalados por Angola, que traem os esforços consentidos pelo povo, apenas para obter vantagens pessoais e bens perecíveis em detrimento da dignidade colectiva, como se vê com aqueles cabindas que actuam às escuras ou à luz do dia e visitam os palácios do regime de ocupação para apanhar as migalhas que caem das mesas dos seus inquilinos, que não são outros senão os que infernizam a vida do povo de Cabinda que um dia juraram defender e servir; só pode ser caucionado se se pretender retardar a solução - mas nunca será útil para abafar a justa causa de Cabinda.

Esses renegados da luta de Cabinda são simplesmente vistos como traidores que optaram por promover «o mito de ser angolano rico» em troca da dignidade - quando na verdade não o são, em vez de continuarem como revolucionários pobres mas dignos.

Tropeçaram na máxima, «mais vale, um pobre digno do que um rico desprezível».

Mas Cabinda nunca se renderá e reencontrará, um dia, a sua dignidade a par das outras nações e povos.

Liberdade, Justiça, Paz e Progresso não são exclusividade de uns mas um direito de todas as nações. Cabinda também merece, que a comunidade internacional assuma a sua responsabilidade como no Sudão do Sul para orgulho da humanidade. 

 

Actualizado em Sexta, 29 Julho 2011 22:29
 

Doação

Sim, eu gostaria de ajudar a expressar a situação difícil do povo reprimido e marginalizado de Cabinda.

O Fórum Liberal para a Emancipação de Cabinda é uma organização sem fins lucrativos e apoia-se nas contribuições dos seus membros, subvenções e doações de pessoas e organizações filantrópicas amantes da paz, que entendem o jugo das populações que representamos para suportar o seu trabalho e actividades. A sua doação seria uma contribuição bem-vinda para permitir-nos de continuar assistindo as justas e pacíficas aspirações do povo de Cabinda, e promover os seus direitos humanos e o seu direito a autodeterminação, procurar uma solução não violenta para o conflito de Cabinda que afecta o povo de Cabinda e trazer a paz e a segurança para todos no território.