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Sudaneses do Norte e do Sul Festejam a Separação: "Somos Livres" PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Terra Cabinda   
Quinta, 14 Julho 2011 21:18

Sudaneses do Norte e do Sul Festejam a Separação: "Somos Livres"
Sudão do Sul é 54º país do continente africano.
O Sudão do Sul se proclamou oficialmente independente, separando-se do norte depois de cinco décadas de conflito que mergulharam o novo país numa miséria da qual espera sair graças as suas ricas reservas de petróleo. Desde a meia-noite de sexta-feira para sábado, em Juba, onde ocorreu a cerimónia, uma multidão em delírio celebrou a proclamação da independência. Ao soar os sinos de meia-noite, uma explosão de alegria comemorou a chegada do primeiro dia de vida do novo Estado.
"Somos livres! Somos livres! Adeus ao Norte, bem-vinda a felicidade!", clamava no meio da multidão Mary Okach. "Lutamos muitos anos e este é nosso dia, vocês não podem imaginar como me sinto", declarou por sua vez o estudante universitário Andrew Nuer, 27 anos, que viajou do Cairo especialmente para assistir aos festejos da independência.
O barulho era ensurdecedor na capital do novo Estado, cujo céu iluminou-se com fogos-de-artifício enquanto carros e autocarros cheios de pessoas percorriam as ruas com bandeiras do Sudão do Sul nas suas portas e janelas, e os motoristas buzinavam. Horas antes da meia-noite, diversos líderes mundiais, entre eles 30 líderes africanos e o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegaram a Juba para as comemorações da independência do novo Estado.
"O povo do Sudão do Sul realizou seu sonho. A ONU e a comunidade internacional continuarão do lado do Sudão do Sul", declarou Ban Ki-Moon ao chegar ao aeroporto da capital. O Sudão reconheceu na sexta-feira a República do Sudão do Sul, apesar de questões-chaves que ainda precisam ser resolvidas entre os dois países, como o estatuto das províncias fronteiriças em disputa.
Na cerimónia também participaram habitantes de Darfur, região do Oeste do Sudão, onde continua travar-se uma guerra civil. "Estamos aqui para felicitar nossos irmãos do Sul pela sua independência e dizer a Bashir 'eis o que acontece quando se oprime um povo'", declarou Mohamed Jamus, de Darfur. O presidente sudanês, Omar al Bashir, também compareceu como convidado de honra. Ele é alvo de um mandato de captura do Tribunal Penal Internacional por genocídio e crimes contra a humanidade em Darfur.
Entre 1955, um ano antes da independência do Sudão (até então uma colónia anglo-egípcia), e 2005 os rebeldes sulistas entraram em duas guerras contra Cartum reclamando maior autonomia. Os conflitos arrasaram a região, fizeram milhões de mortes e provocaram uma desconfiança recíproca entre os dois lados do país. 
O acordo de paz firmado em 2005 pelo líder dos rebeldes John Garang - alguns meses antes da sua morte num acidente de helicóptero - e o presidente do Sudão, Ali Osman Taha abriu um novo capítulo que possibilitou o referendo sobre a independência, realizado em Janeiro deste ano. Os sulistas optaram quase por unanimidade pela organização de uma eleição sem maiores incidentes e cujos resultados Cartum prometeu respeitar.
A nova nação deve enfrentar grandes desafios, como os confrontos na fronteira que já provocaram 1.800 mortes este ano, um dos indicadores sociais menos desenvolvidos do mundo, negociações sobre a separação de bens e a reestruturação da indústria com o Norte. Segundo fontes próximas das autoridades que participam das negociações, um acordo sobre a reestruturação do sector petrolífero parece pouco provável devido a divergências sobre o estatuto final do disputado território de Abyei.
A tensão aumentou no dia 21 de Maio, depois da ocupação pelos nortistas desta região fronteiriça, obrigando a fuga de 117 mil sulistas. Foi obtido um acordo no dia 20 de Junho para desmilitarizar Abyei e para destacar 4.200 soldados etíopes, mas o futuro do território continua incerto. Algumas semanas após a ocupação de Abyei, Kordofan do Sul, outro território fronteiriço afectado pelas disputas étnicas, foi palco de violentos confrontos entre as forças do Norte e o braço armado do SPLM (Movimento Popular de Liberação do Sudão, ex-rebeldes sulistas) que causaram centenas de mortos.
Na sexta-feira, o presidente nortista Omar al Bashir ordenou que o exército continuasse as suas operações até que este território, a única região petrolífera do Norte, estivesse "limpo dos rebeldes". No entanto, muitos sudaneses afirmam que não há o que comemorar, principalmente os islamitas radicais de Cartum e alguns sulistas moradores do Norte, que lamentam que a visão de John Garang de um Sudão federal e democrático não tenha-se tornado realidade.
Por fim, na véspera da declaração da independência da nova nação, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu por unanimidade enviar ao Sudão do Sul uma missão de 7.000 soldados, 900 civis e especialistas para contribuir na construção do país e na segurança. A nova missão foi denominada Minus que substitui a Minus, missão anterior da ONU para todo o Sudão, mas que concentrava suas forças principalmente no sul do país.

 

 

Actualizado em Sexta, 15 Julho 2011 12:08
 

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