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Assassinatos e Repressão Confundem-se com Negociações e Boa Vontade? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Terra Cabinda   
Sábado, 23 Abril 2011 06:18

 

 

Assassinatos e Repressão Confundem-se com Negociações e Boa Vontade?

 

Os cabindas morrem assassinados dentro e fora do seu território e são reprimidos aos olhos das potências mundiais sem que esses fervorosos defensores e portadores do standard dos direitos humanos digam sequer uma palavra de consolação a este povo cujos gritos de dores esbarram na muralha formada pelos interesses económicos dessas mesmas potências mundiais.

 

Portugal, o responsável moral da desgraça dos cabindas nem ousa redimir-se do erro cometido e da traição infligida aos cabindas. O porquê dessa injustiça e humilhação?

 

No mês de Março, duas proeminentes figuras da guerrilha cabindesa ligada a FLEC/FAC de Nzita Tiago foram assassinados em condições similares na República do Congo. No entanto, a direcção política da qual dependiam continua a observar um silêncio total que dá azo à indignação e especulação dos observadores.

 

No território, o povo Cabinda inconformado com o cativeiro, indigência e desolação em que está submerso clama por uma solução pacífica e dignificante do conflito; e rejeita as imposições e a arrogância do regime de ocupação do MPLA.

 

A marcha pacífica programada pelos jovens de Cabinda para o dia 10 de Abril, baseando-se na lei angolana, foi autoritariamente proibida pelo regime de ocupação de Cabinda.

 

O povo de Cabinda questiona os que falam de negociações e boa vontade de Angola de dialogar directamente com os cabindas, se tais pronunciamentos advêm das suas livres consciências ou de imposições do regime de Luanda para ajudar a limpar a imagem deste na arena internacional?

 

Os factos em Cabinda são desajustados e diametralmente opostos a tais argumentos e elogios.

Se há quem deseja a paz para Cabinda em primeiro lugar são os cabindas. Portanto, todos que se engajaram voluntariamente para ajudar na materialização desse desiderato popular deverão agir com a maior seriedade e transparência possível para evitar que sejam conotados àquilo que poderá não reflectir as suas verdadeiras intenções.

 

O problema de Cabinda não deve ser confundido com um bolo que um grupo de amigos reunidos sem saber-se como, em que bases e critérios aprontam-se dividir estando ainda a faca nas mãos do ocupante! Isso pode ser tudo o que quiserem pensar, menos servir ao povo.

 

Cabinda é um povo que no passado foi admirado por outros povos pela sua humildade, respeito pela vida e dignidade humana; sabedoria e sentido de procura do bem comum. Estes são os valores que as actuais gerações devem preservar, cultivar e deixar como legado ás gerações vindouras.

 

Não é razoável que se fale de negociações num cenário de aumento de repressão e assassinatos selectivos ao menos que sejam negociações para soluções pessoais numa base selectiva e restrita que não tem a ver com a solução global do problema que aflige o povo de Cabinda.

 

Pelo que sabemos, nunca se ouviu de algum dirigente angolano, autorizado, falar da existência de tais negociações; então, aonde e com quem estarão a negociar?

 

Aceitando-se a possibilidade de existência de tais negociações, é legítimo perguntar-se o porquê dos assassinatos em curso e dessa subida de repressão quando se assume estarem em negociações ou se reconhece boa vontade de Angola, que ocupa ilegalmente o território, de resolver pacificamente o problema de Cabinda?

 

Não podemos permitir que se ajude Angola a desviar a atenção da comunidade internacional sobre o que se passa em Cabinda, pois não há duvidas que esses assassinatos são da responsabilidade do regime de Luanda e estão longe de ser a solução resultante das pretensas negociações para a pacificação de Cabinda.

 

O regime de Luanda sabe o quê fazer para pacificar o território e solucionar o problema de Cabinda. Certamente, não é atemorizando os cabindas mas sentando e conversando com todos os seus representantes; não com os agentes e indivíduos escolhidos pelo regime. O povo de Cabinda protesta isso com clarividência.

 

Se o regime de Luanda for sério na busca de uma solução definitiva para Cabinda, entenderá que uma coexistência pacífica é possível e não precisaria desperdiçar recursos para corromper indivíduos que não podem, de facto, ajudar porque não encarnam a vontade do povo que não se sente representado por eles no que fazem.

 

O problema de Cabinda requer uma solução política global; e não a acomodação deste ou daquele outro.

Cada um de nós viverá o tempo que puder, e depois disso o que será dos outros cabindas das gerações vindouras?
Este é o raciocínio que uniu os cabindas contra o famoso memorando da humilhação assinado em 2006 no Namibe; e não será diferente com qualquer outro embuste do género só porque houve mudança de figurinos.

 

A liberdade só é liberdade para aqueles que pensam de forma diferente, e o povo de Cabinda a quem se atribui o direito de autodeterminação continua a pensar diferente.

 

Portanto, é legítimo para este povo dizer que os que pensam da mesma forma que o governo do MPLA não precisam de liberdade, por isso o MPLA pode simplesmente enquadrar-lhes sem mais delonga tanto nas estruturas do MPLA como do seu governo. Não faz sentido, haver negociações entre pessoas que pensam da mesma forma. Podem, sim, concertar-se dentro das estruturas que servem.           

 

 

Actualizado em Sábado, 18 Junho 2011 23:31
 

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