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Escrito por Terra Cabinda   
Domingo, 26 Dezembro 2010 20:36

Após a reunião de 2 a 4 de Julho de 2010 em que se decidiu a demissão dos Responsáveis signatários da carta endereçada ao Presidente da Flec e tornado publico;
Os membros do movimento de libertação de Cabinda preocupados com a afronta, desprezo, humilhação e apunhalamento infringidos, mais uma vez, por certos indivíduos até então tidos como ícones do movimento libertador de Cabinda, e devido a algumas interpretações erróneas de alguns comentadores: umas por falta de elementos de apreciação e outras por intenções oportunistas de confundir os menos esclarecidos sobre o que de facto se passa na Flec, decidimos trazer alguns esclarecimentos que ajudarão os interessados a dissipar as dúvidas que por ventura possam existir.

Visando servir o martirizado povo de Cabinda com transparência, verdade e responsabilidade; trazemos, dentre outros os seguintes aspectos e factos que enfermam a luta pela emancipação do nosso Povo e ditaram a nossa demissão desse meio poluído, para o domínio público nacional e internacional:

I.- ASPECTOS IMPORTANTES E FACTOS QUE ENFERMAM A FLEC

- Evidências de alta traição no topo da pirâmide da direcção da FLEC/FAC numa embrulhada com a FLEC/Estado em que se associa António Nzita Bemba, filho do Presidente Nzita Henriques Tiago, que desde 2007 vem desafiando abertamente o povo de Cabinda como instrumento do Governo de Angola para a desestabilização da luta pela emancipação do povo de Cabinda que se consubstanciam no seguinte:

. Reactivação da Flec/Fac dissolvida em 2004 em Helvoirt no quadro da fusão das flec’s cuja presidência também assumida pelo Presidente Nzita Tiago em paralelo com a da Flec/Estado sem ter tido a preocupação e consideração de no mínimo esclarecer aos membros e outros responsáveis a cargo do movimento dos seus propósitos.

. Criação à revelia de todos responsáveis do movimento, com excepção do grupo que se rendeu, do cargo de secretário do presidente para as missões especiais nomeando o senhor José Veras para o cargo, portador de uma procuração assinada pelo presidente Nzita Tiago para legitimar as suas acções, que mais tarde se revelou estar envolvido em negociações secretas com Angola, que só a Flec diz existir, enquanto Angola ignora a existência de tais negociações.

. Viagens secretas a Luanda com conhecimento do Presidente da FLEC, Nzita Henriques Tiago dos membros do grupo que se rendeu a Angola usando passaportes angolanos. Membros dessa equipe e o director do gabinete do Presidente da FLec confirmaram o seu conhecimento do que estava ser feito e insistiram que recebiam instruções do Presidente a quem reportavam os resultados do que faziam.

. O Presidente Nzita Henriques Tiago rejeitou sistematicamente a convocação de reuniões da cúpula da Flec para discutir-se o mal-estar que deliberadamente se criara no movimento.

- A situação envolve a presidência, o comando superior das FAC e o secretariado-geral que foi repescado na ultima etapa, após ter sido vilipendiado no comunicado final de uma das ultimas reuniões que o Presidente Nzita Tiago teve com o grupo liderado pelo senhor Alexandre Tati que se rendeu ao serviço de Angola, para ajudar-lhes a superar os entraves encontrados por este grupo junto da base, dos guerrilheiros e dos refugiados que tentaram arrastar à força, sob ameaças.

. Ao Secretário-geral foi incumbida a missão de arrastar de qualquer forma todos os responsáveis residentes na Europa e tem igualmente uma viagem agendada, com bilhete preparado, para a África com a mesma missão de convencer os refugiados e quiçá os combatentes sem contudo revelar-se os detalhes da missão. A viagem só não teve lugar devido ao desentendimento que se registou entre eles.

. A atracção do Secretário-geral, Senhor Joel Batila, surgiu em parte como medida para abortar a reunião convocada pelo Secretariado das Relações Exteriores e Negociações, então dirigido pelo Senhor Martinho Lubango, a pedido da maioria dos Representantes de Cabinda nos diferentes paises que queriam esclarecimentos da Direcção (presidente e secretário-geral) sobre a traição indisfarçável na alta hierarquia do movimento.

. O Secretário-geral inicialmente concordou participar da reunião. Mais tarde, instruído pelo presidente disse que este delegou o seu sobrinho, senhor Pambou Pierre, que seria portador da sua mensagem a um grupo restrito que deveria reunir-se clandestinamente em Bruxelas, citando os nomes, quando tudo estava preparado para a reunião da França onde residem os senhores: Joel Batila, Nzita Tiago e o seu sobrinho Pambou Pierre, que não é membro activo da FLEC e não participa nas actividades da FLEC por não querer envolver-se na política de Cabinda (isto foi dito pelo próprio Pambou Pierre).

. Rejeitaram a oportunidade de serem honrados com a presença dos que já se tinham decidido deslocar a França que apenas queriam ser informados, para depois decidir como continuar a servir o povo de Cabinda fora dessa promiscuidade ou aceitar a corrupção tal como aconteceu com alguns alérgicos aos petrodólares.

- O insucesso dessa força coligada na Flec de arrastar todos quadros residentes na Europa; os refugiados Cabindas nos dois Congo's e os combatentes que negam apoiar o embuste urdido pelos Serviços Secretos de Angola em parceria com os seus agentes acomodados na Direcção da Flec deixou desnorteado os mentores e levou-os a precipitar os seus actos e a encenação de comunicados que nada tem de novo, senão, o assumir aberto do que já tinha sido denunciado em tempo oportuno por varias fontes da causa cabindense.

- O silêncio mantido pelo Presidente Nzita Tiago e a sua oposição a todas as iniciativas de um debate interno e de explicar-se a opinião publica nacional e internacional sobre o que se passa com o nosso povo em Cabinda e nos países limítrofes do território, sobretudo em Ponta-Negra, desde o ataque do Massabi que constitui o centro de gravidade de tudo que se assiste, também, reivindicado por ele e pelo seu neto Jean Claude Nzita, que não detém nenhuma responsabilidade oficial na FLEC são indubitavelmente indícios do seu conhecimento prévio e consentimento da situação.

. Ambos alegaram terem assumido o acto sob confirmação do grupo que se rendeu a Angola que garantiu-lhes terem sido os estrategas e executores juntamente com outros que nas fileiras das FACU não se tem a mínima ideia de quem são; isso deixa claro a sua cumplicidade com tudo que se vem registando nos últimos tempos em Cabinda.

. A inexistência de limites de interferência dos familiares do Presidente Nzita Tiago: filhos, sobrinhos, netos e companhia deixam a clara percepção de estar-se num feudo e não numa estrutura representativa da luta de um Povo.

. O senhor Antoine Nzita, portador de uma procuração assinada pelo Presidente Nzita Tiago que lhe habilita actuar como presidente executivo da flec, portanto, foi projectado pelo próprio pai para o papel que desempenha junto de Angola e agora gere os fundos da corrupção quando oficialmente diz-se haver um desentendimento entre eles.

. Devido a pressão de Angola de não querer ver o grupo rendido continuar na clandestinidade, foram forçados a expor-se em função do prazo que lhes foi imposto para desmantelar a Resistência Cabindense e dissolver a FLEC num suposto congresso a ser financiado por Angola como condição para continuarem a ser considerados fiéis ao regime que vêem servindo clandestinamente.

- Não é razoável que o Presidente Nzita Tiago tenha mais de uma semana de trabalho com indivíduos que estão abertamente ao serviço de Angola para desmantelar as estruturas da FLEC como se pode depreender do comunicado que emitiram contra aqueles que mantêm fidelidade e querem servir Cabinda sem comprometer a dignidade do seu povo; e, não convoque a Comissão Politica Permanente (CPP) de acordo com os estatutos para esclarecer o que se passa, quando era sabido que esses rendidos viajam com passaportes angolanos para Luanda, Europa e países vizinhos de Cabinda tendo à sua disposição meios cedidos pelos Serviços Secretos de Angola para desestabilizar a Flec e semear o terror, pânico e desespero no seio da população cabindense do interior e da diáspora.

- Denota-se uma perversão de valores morais na atitude da direcção da Flec a favor de Angola para a decapitação do movimento, arquitectado pelos Serviços Secretos de Angola, a fim de perpetuar o sofrimento do povo de Cabinda como se pode provar com a subida de repressão e detenções de cidadãos inocentes, sem culpa formada, como é o caso dos activistas cívicos condenados em Cabinda e detenções de Ponta-Negra; enquanto os estrategas e executores do ataque de Massabi atribuído à FLEC frequentam os círculos da Segurança de Angola em Luanda que lhes financia e dá todo o apoio necessário de um lado e do outro assiste-se a justiça angolana forjando julgamentos de inocentes por crimes inexistentes, contra a segurança do estado angolano, numa embrulhada de contradições.

- Os rendidos montaram a sua base em Ponta-Negra de onde era coordenada toda a abominação: acções corruptivas; denúncias contra os verdadeiros resistentes e actos coercivos com ameaças veladas de morte visando intimidar e envolver todos porque estão satisfeitos com as promessas feitas por Angola de mudar as suas vidas em compensação pelo tempo passado (nessa luta) servindo Angola? Não terão aprendido a lição com os precedentes? Quem recompensará o sangue derramado e o martirizado povo de Cabinda?

- O que diferencia esse novo acto do anterior protagonizado pelos outros que lhes precederam além da excessiva mediocridade, traição barata e brutalidade que o caracteriza?

- Essa situação cria grandes riscos de radicalização dos guerrilheiros que negam acatar ordens daqueles que se renderam aos Serviços Secretos de Angola. E, agora, dizem estar a negociar com Angola, obedecendo a uma estratégia desta para afastar-se cada vez mais a possibilidade de envolvimento da Comunidade Internacional a favor de uma solução que dignifique o povo de Cabinda e todas as partes envolvidas, incluindo Angola.

- O senhor Presidente Nzita Tago convivia normalmente com os rendidos; enquanto evitava o contacto com os que não estavam envolvidos nessa traição. Depois de uma troca de comunicados entre eles, convocou uma reunião do Nkoto-Likanda quando tudo já está consumado, para quê? Pensa continuar a enganar o povo de Cabinda com a falácia de que foi golpeado quando tudo não passa de uma simulação para salvaguardar a sua imagem de herói e eterno líder da resistência cabindense?

- Deste modo, entendemos que o senhor Presidente Nzita Tiago também violou os estatutos do movimento, nomeadamente: os artigos 14 e 18; e encorajou até certo ponto a traição do grupo que se rendeu a Angola.
Que explicassem claramente ao Povo de Cabinda o que se passou antes de se desentenderem, em vez de digladiarem pelo controlo da situação.

Por isso, não têm autoridade, nem poder moral de emitir comunicados em nome da Resistência Cabindense destituindo-se mutuamente para vergonha de todo um Povo.

II.- POSIÇÃO ASSUMIDA PELOS RESPONSÁVEIS DEMISSIONÁRIOS

- Perante os factos acima resumidos e outros detalhes que seguirão oportunamente, caso for necessário; os Senhores: Martinho Lubango, ex-Secretário para as Relações Exteriores e Negociações, e membro da CPP ; João Francisco Lubota, ex-Secretário Permanente Adjunto da CPP e Chibinda António Clemente, ex-Representante de Cabinda na Suíça e membro da CPP apresentaram as suas demissões e unindo-se a outros cabindas preocupados com o destino do Povo de Cabinda decidiram o seguinte:

. Distanciar-se de toda a traição e actos ignóbeis do Senhor Presidente Nzita Tiago e seus acólitos, e declarar que não subscrevem nenhuma alínea do embuste criado deliberadamente por essa direcção a mando dos seus patrões (Angola) que trai e apunhala, mais uma vez, o povo de Cabinda.

. Cessar toda a colaboração com essa direcção por estar comprometida com Angola e dificultar desta forma a solução política do caso Cabinda.

. Não permitir a monopolização por quem quer que seja, sob qualquer pretexto, do espaço criado pelos Cabindas para a reivindicação do seu direito à autodeterminação, no qual todos se identificam e muitos deram as suas vidas e outros continuam a dar, para servir como produto de troca para vida fácil que certas pessoas sonham, ainda que para tal tenham que sacrificar ou crucificar todos para alcançar o que ambicionam sem ter em conta as lídimas aspirações do Povo de Cabinda.

. Trabalhar no sentido de resgatar a credibilidade da causa cabindense e dar uma esperança renovada ao povo de Cabinda; e dizer aos que se vendem pelos petrodólares que o dinheiro que recebem só lhes cega, torna ignorantes e insensíveis ao seu próprio sofrimento, por isso não trará solução nenhuma e apenas contribui para seu descrédito e retardar a solução "que também dizem buscar".
Entretanto, também, reclamam da indiferença da comunidade internacional ao mal infringido ao Povo de Cabinda por Angola. Que ironia e sarcasmo?

. Criar um Comité Dinamizador para o estabelecimento das bases de funcionamento do Fórum Liberal para a Emancipação de Cabinda como espaço onde todos os Cabindas preocupados, na verdade, com a sorte do seu povo poderão contribuir no esforço de busca de uma solução pacífica, duradoira, justa e dignificante para Cabinda.

. O Senhor Martinho Lubango é o coordenador eleito do referido comité.

III.- PEDIDO À COMUNIDADE INTERNACIONAL

- Sobretudo a ONU, UA, UE e os países mais desenvolvidos do G-8 de encarar a questão de Cabinda como um desafio de Angola à civilização moderna, paz e segurança internacional, e que intervenham na clarificação do ataque de Massabi com a abertura de um inquérito internacional independente para se apurar a verdade dos factos.

- Particularmente, aos líderes e Governos dos países com grandes interesses económicos em Cabinda que prestem atenção ao que se passa com o povo de Cabinda e se pronunciem, pressionando Angola para libertar todos os defensores dos Direitos Humanos; presos políticos e de consciência encarcerados pelo regime de Angola em Cabinda e não permitir a instrumentalização dos mesmos; e que se accione os mecanismos internacionais necessários para alcançar uma solução politica do diferendo entre Cabinda e Angola.

- Que não se caucione com o seu silêncio a corrupção como forma de resolução do problema de Cabinda, que como se sabe, assenta-se na autodeterminação dos povos e, reconhecido pelas instituições internacionais.

- Todos casos, conflitos e disputas, similares ao de Cabinda e outros até de matiz interna mobilizaram a comunidade internacional devido ao imperativo do respeito pelos direitos humanos, de restabelecer a paz e garantir a segurança internacional.

Pensamos que as vitimas e os estragos já causados por Angola em Cabinda justificam, independentemente das razoes que mantêm a comunidade internacional silenciosa, agora o seu pronunciamento para bem da humanidade.


Feito ao 14 de Agosto de 2010


                            O Comité Dinamizador

 

                      Martinho Lubango        Chibinda Antonio  Clemente           João Francisco Lubota

 

 

 

 

 

 

Actualizado em Sábado, 12 Fevereiro 2011 19:57
 

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